Quem eu sou?

Quem eu sou talvez seja a pergunta que ecoa mais profundamente quando nos deparamos com conflitos que desafiam nossas relações com o mundo.
Porque é tão difícil respondê-la?

Talvez não seja a resposta o grande desafio, mas fazer a pergunta de verdade, com intuito de desvelar a verdade.
Porque tememos tanto desvelar esse segredo? O que mudaria de fato na minha vida cotidiana descobrir quem eu sou de verdade? Como me relacionarei com o mundo e as pessoas diante de novos elementos que designam minha existência?
Essa viagem é subjetiva, com passagem só de ida a um lugar desconhecido e ainda inabitado. Um local deserto de “outros” e abundantes e “si”.
O ticket dessa passagem é a premissa de que: “O outro não existe” – Mas espere um pouco… Como o outro não existe se a vida é feita de relações humanas, de afetos e desafetos, de projeções? E a inveja? E o amor? Como isso não existe na relação de troca com o outro?
A forma como nos relacionamos com o mundo é exclusivamente nossa, assim como nosso DNA ou nossa impressão digital. Nos relacionamos com o mundo de acordo com nossa experiência, bagagem, e esse percurso é único. Como vamos agir e reagir diante das mais diversas situações nada mais é do que o nosso mundo interno se manifestando. É como se cada um de nós nascêssemos com uma lente de contato que colore ou descolore, cria formas ou destrói estruturas de acordo com a nossa própria história. Desta forma, como iremos agir e reagir na relação com o outro sempre é como podemos “enxergar” aquele momento.
Se algo ou alguém desperta o melhor de mim, eu me afeiçoo aquela situação, e o mesmo ocorre quando o pior de mim se revela diante de algo ou alguém… Ou seja, sempre nas relações com o mundo, tudo que sentimos, agimos ou reagimos são pistas sobre nós mesmos.
Vale a pena pensar sobre isso, principalmente em situações em que sentimos muita raiva, ódio, desprezo.  O que aquilo com o que não queremos conviver (pois a reação ao desafeto é o afastamento) está nos mostrando sobre nós mesmos.
Diante dos afetos, também podemos observar quais dons e talentos se revelam para nós. Na maioria das vezes acreditamos que aquele bem estar que sentimos diante dos afetos nos são doados pelo outro, o que nos leva a uma dependência daquele outro (seja ele algo ou alguém), transformando o amor em algo obsessivo.
Nessa linha de raciocínio podemos contemplar cada discussão ou conflito que vivenciamos, pois através deles nos revelam mais sobre nós, que até então se encontram na sombra, na penumbra mais profunda da nossa consciência.
Este é um exercício desafiador, pois o mundo nos programou para acreditar que os agentes externos exercem mais poderes sobre nós do que nós mesmos.
Empoderar-se é necessário! É libertador! E é uma experiência única e maravilhosa, a de sentir o mundo em sua própria forma.

Texto: Thais de Castro

Deixe um comentário